quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Uma escuridão bonita








Ondjaki-Uma escuridão bonita.

Outro final?

Por Íris Ribeiro



In http://ventossemeados.blogspot.pt/2014/03/livro-uma-escuridao-bonita-de-ondjaki.html [cons. em 15-11-2016]

• [...] Empresta-me só os teus lábios. […] Inclinei-me suavemente na direção dela, passei a língua pelos lábios secos do calor que fazia naquela noite escura. Pela luz do luar, vi que ela se inclinou também; fechámos ambos os olhos, como se fecha uma porta de uma criança que está a dormir. Aproximámo-nos lentamente, e ficámos tão juntos, que o ar que ela tirava para fora do seu corpo era o ar que eu punha dentro do meu. Abri ligeiramente os olhos para ver se não era um sonho, para ver que ela estava mesmo ali. Os nossos lábios estavam apenas separados por uma pequena escuridão e silêncio, em breve se iriam juntar; falta pouco, tão pouco… E vem uma luz cega, sem piedade, sem rigor, uma luz que atravessa o pequeno espaço entre os nossos lábios, e que nos afasta. De dentro de casa a avó diz:
-Bendita luz, estava a ver que não vinhas.
Sorrimos apenas com o comentário, e afastámo-nos lentamente.
-Bem- digo eu- acho que teremos de esperar pela próxima escuridão.
-Sim- diz-me ela.
Olho para o luar definido no céu e suspiro.
-Sim, esperemos.



N.º:16 8.ºC





sábado, 29 de outubro de 2016

Coisas sólidas e verdadeiras


In https://bibliotecascoloradd.files.wordpress.com/2013/02/mural-ee-guerra-de-almofadas.jpg [consultado em 29-10-2016]



Coisas sólidas e verdadeiras


No outro dia, estava a almoçar e dei especial atenção a uma notícia que passava na televisão sobre a guerra na Síria.
Poderão os meus leitores dizer, e com razão, que foram as guerras que fizeram o Homem evoluir. E o que seríamos nós, habitantes deste retângulo junto ao Oceano Atlântico, se não tivessem existido as guerras que foram ganhas pelo nosso ilustre rei D. Afonso Henriques no século XII? Provavelmente seríamos árabes ou espanhóis.
Contudo, na minha opinião, as guerras na Síria não são dignas do século XXI. E quem diz a guerra na Síria, diz os ataques terroristas que se têm vindo a intensificar, nomeadamente em França. O ser humano tem de ser cada vez mais civilizado. As guerras trazem imensas desvantagens, como o elevado número de mortes, a destruição das cidades, e, consequentemente, o crescente número de habitantes que abandonam os seus países de origem em busca de melhores condições para (sobre)viver, como é o caso dos refugiados que estão a entrar em território europeu. Nesse caso, o problema deixa de ser apenas dentro dos países em guerra e passa a ser também dos países que acolhem os refugiados.
Considero, portanto, que as guerras em nada beneficiam as nossas vidas, especialmente em pleno século XXI. O respeito pela vida humana deve ser a coisa mais sólida e verdadeira do mundo!

André Simões, 9.º B, N.º 2


Nota
O título é de uma crónica de Manuel António Pina, cuja leitura desencadeou este processo de escrita.


Coisas sólidas e verdadeiras


In http://modaebeleza.org/wp-content/uploads/2015/08/cabelo-azul-degrade.jpg [const. em 2.11.2016]

Eu sempre quis ser diferente, mas nunca soube muito bem como. Parecia que tudo o que era considerado diferente, para mim, já não o era. Era como se ainda não tivesse encontrado a diferença certa, mas a ideia estava sempre na minha cabeça.
Era um dia normal, estava a ouvir músicas, enquanto via os videoclips das mesmas. Até que parei num. Nunca tinha ouvido falar da artista, mas o que me captou a atenção foi o seu cabelo. Era perfeitamente dividido ao meio, com uma peculiaridade: o seu tom não era moreno ou loiro, nem ruivo ou preto, mas sim metade rosa e metade preto. E aquilo fascinou-me! Eu fui ver outros vídeos da mesma menina e agora o cabelo rosa estava azul, roxo e até branco! E aí eu percebi a minha diferença.
Saltei do sofá e procurei pela minha mãe. Quando a encontrei, perguntei-lhe o que achava de eu pintar cabelo de azul. Ela olhou-me com uma cara feia e disse-me para não o fazer... que o meu cabelo castanho era lindo... Mas eu não me convenci. Fui a casa da minha vizinha. Fiz-lhe a mesma pergunta; «A minha mãe diz que quem tem cabelo colorido não vai ser ninguém na vida.» foi a sua resposta.
Desanimada e inconformada com isso, decidi ir dar uma volta perto da minha casa. Logo parei e sentei-me, encostando-me à parede.
- Então, menina, tudo bem? - olhei para a rapariga que me tinha feito a pergunta. E sorri. Ela tinha cabelo azul.
- Como é ser diferente? - perguntei e a menina riu.
- Gostas? - responde-me em forma de pergunta, mexendo no cabelo. E eu assinto. - Sabes, há muita gente na terra e há muita gente que não aceita o nosso cabelo colorido. Mas deixa-me dizer-te que pintar o cabelo não te muda, apenas mostra quem realmente és.
Ela foi embora.
Esta versão fez muito mais sentido! Como é que a cor do meu cabelo pode definir quem eu sou, ou se vou ou não ser alguém na vida?!
E para além disso, há tantas cores! Como é que nós podemos querer limitar o nosso cabelo a apenas três cores? Que, diga-se de passagem, são bem aborrecidas!
Contudo, o que eu realmente não entendia é porque é que os outros veem isso e não o aceitam.
Eu não quero viver num mundo em que não nos deixam ser quem somos!
Voltei para casa, não disse mais nada à minha mãe. Sim, aquela menina estava certa, se eu pintar o cabelo não vou deixar de ser quem sou.
Encontrei a minha diferença, e não ligo se aceitam ou não.


Joana Santos, 9.º B

sábado, 1 de outubro de 2016

O regresso às aulas


Imagem in http://www.apeema.com/wp-content/uploads/2014/07/manuais.jpg [consultado em 1-10-2016]

Um novo ano letivo


Eu gosto do reinício das aulas, pois posso voltar a ver os meus amigos de novo.
Vejo esta reentrada como uma coisa boa, porque apesar de sabermos que podemos ter um ano difícil, encaramos o futuro com um sorriso.
Na realidade, não gosto só de rever os amigos, também sinto saudades da escola em si, quando estou de férias, pois nós passamos mais tempo na escola que em casa, por isso fica a ser a nossa segunda casa, uma família, que nos apoia e ensina, nos faz rir nos momentos em que estamos tristes, e nos consegue arrancar um sorriso, quando pensamos que o mundo vai desabar.
É uma família da qual eu tenho saudades, quando vou os três meses para casa; porque apesar dos bocejos infindáveis, dos olhos a fecharem-se, das dores de estar sentada, a escola é a minha segunda casa; e eu sei que quando a minha família partir, existirá sempre esta família, com a qual estou ligada na maior parte dos meus dias, que irá estar lá para me apoiar.
Voltar à escola é como um balão com ar, um peixe dentro de água, um sorriso com lábios.
Voltar à escola é ser uma caneta com tinta, com um papel branco e limpo à minha frente, onde posso escrever.
Por todas estas razões é que eu gosto de voltar .


Íris Ribeiro N.º16 8.ºC

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Bom ano letivo 2016/17!



Deixo-vos este vídeo, com o desejo de que vos inspire a fazer sempre mais e melhor! Basta clicar no título.





Fonte da imagem:https://thumbs.dreamstime.com/z/ilustrao-infantil-de-uma-face-de-sorriso-do-sol-1945834.jpg

sábado, 4 de junho de 2016

A bola, de Orlando Mesquita

Fonte da imagem:http://www.revistaproa.com.br/04/wp-content/gallery/oliveira3/mocambique6.jpg [consultado em 4.junho. 2016]






A Bola
é uma curta-metragem de Orlando Mesquita.

Realizador & Editor ORLANDO MESQUITA, câmara JOÃO COSTA, som VALENTE DIMANDE, música CHICO ANTÓNIO, dir. produção ABDUL MANAFE, produtora EBANO MULTIMEDIA

Prémios: Prémio Cannes Júnior, Prémio Canadá, Prémio África do Sul, Prémio Itália
Biblioteca Lincoln Centre Nova Yorque
Prémio Especial do Júri Festival de Cannes Júnior, 2002
Prémio Especial do Júri Festival de BANFF - Canadá, 2002
Prémio Especial do Júri Internacional de Estudantes de BANFF para melhor programa infantil - Canadá 2002
Melhor Filme Africano no Apollo Film Festival d, S.A. 2002
Menção Especial do Júri no Festival de Guanajuato, 2002
Prémio Instituto Camões para a melhor Curta Metragem de Expressão Lusófona – Festival Internacional de Curtas Metragens de Évora, Portugal, 2003.

Sinopse

Bola de um lado para o outro, a rolar pelo chão moçambicano tão bem conhecido por Orlando Mesquita. Parece uma bola de pano, e é, mas debaixo de uma camada de tecido, debaixo de uma camada de fio, debaixo de uma camada de tecido e outra camada de fio, esconde-se uma coisa improvável, que ninguém imaginaria que estivesse ali…
Com esta intrigante curta-metragem, Orlando Mesquita faz com que os nossos olhos se esbugalhem de espanto, e, claro, que conheçamos a realidade, debaixo de tanto tecido e fio de uma bola.

Íris Ribeiro
Escola Básica da Venda do Pinheiro, 7.º D

Um dia importante, pelo olhar da Íris







Imagem in
http://www.apeema.com/wp-content/uploads/2014/06/dia-crianca.jpg [consult. em 4.junho.2016]


Criança

Sou um adulto pequenino.
Sou uma rosa a desabrochar.
Sou livre como um pássaro,
Pássaro esse a voar.
Voo livremente,
Sem gaiola,
Sem corrente.
Essas já desapareceram há muito,
Muito antes de eu nascer.
Sou livre e voo livre,
Sem nada a prender-me.
Além de livre estou contente,
Pois sou criança no presente.

Íris Ribeiro Nº.18 , 7.ºD

terça-feira, 3 de maio de 2016

A propósito do Dia da Mãe (1 de maio de 2016), um tesouro da Íris


In https://portomaterno.files.wordpress.com/2016/03/maos.jpg [consult.em 3 de maio de 2016]


Mãe

O teu sangue
nas minhas veias corre.
O teu amor para mim é infinito.
A tua voz acorda-me de manhã
com um humilde bom-dia.
Os teus braços aconchegam-me
quando o frio aperta.
Mas, mãe, e se tudo acabar,
se um dia tudo desmoronar,
vais estar lá para mim?
E, se o sol não vier, mãe,
vais acordar-me mesmo assim?
E, se o frio for tanto que congela, mãe,
vais abraçar-me mesmo assim?
Mas, mãe, e se tudo isto acontecer,
se já não estiveres aqui, diz-me, mãe,
vais continuar a olhar por mim?
Antes que o frio venha,
antes que o sol se vá,
deixa-me dizer-te que eu te amo,
e que se um dia tu não me fores acordar,
eu sei que, com o sol,
pela minha janela adentro irás entrar.
Íris Ribeiro, 7.º D